
O comanche ta de volta… Agora, sua coluna do nosso saudoso blog estréia aqui nesse site e todos os domingos o jornalista Xico Sá nos dará o ar de sua graça. Confiram…
PRÓLOGO ON THE ROCKS PARA O LEITOR SALTA-PÁGINA

Saiu a 3a ediçao de mi noubella “Caballeros Solitários rumo ao sol poente”(ed.do bispo).Pra celebrare, o prólogo,revisto e atualizado:
“Só o leitor que salta me interessa”, disse, pelo que entendemos do seu escorreito castelhanês, o recém chegado à taberna dos cavaleiros fatalistas.”Ao leitor que pula páginas me dirijo. Asseguro-te que leste todo o meu romance sem te dares conta, te tornaste leitor seguido à tua revelia, à medida que vou te contando tudo dispersamente e antes de iniciar o romance. Comigo, o leitor que salta é quem mais se arrisca a ler seguido”, deu tintas finais à tese-chiste, era de fala pouca, voz miúda, don Macedonio Fernández, egresso da província de Buenos Aires.
Donde outro forasteiro, novidade em nuestra tertúlia, salta do seu místico biombo com os segredos típicos daquelas criaturas que vêm de longe, muito longe:
“Se vocês quiserem que eu conte, eu conto, mas têm de me pagar uma bebida antes, para que eu possa molhar a garganta”, diz sr.o Steven Brust, chamemos assim o distinto viajante.
Sabe-se que o sr. Steven Brust é um cara decente que toca bateria e dumbek, aquele tambor árabe do dança do ventre, numa banda gypsi-punk. O distinto cavaleiro, conforme a mística, sempre muda de nome para fugir das groupies-motosserras, aquelas garotas selvagens que decepam todos os paus, troncos e membros dos seus ídolos estrangeiros.
Na tempestade, Steven Brust estica a mão na janela com o seu copo longo de uísque, enchendo-o de granizo até as bordas. Celebra a vida nos trópicos, onde se diverte, deixando para trás o passado de menino criado num castelo escuro. Agora tem o sol o dia inteiro para brincar com a própria sombra.
Steven também bebe previsíveis cowboys quando a melancólica besta-fera do lusco-fusco embaça seus óculos verdes com a poeira do amor ou da ira.
Steven Brust tem aquele jeitão de cigano húngaro, é o que dizem, mas como nunca vi um cigano húngaro na minha frente, Steven continua a ser apenas aquele escriba vagabundo que encontrei na secção Baixo Augusta do Sandman´s Drinks, célebre no recinto por trocar boas histórias e solos de dumbeck por bebida e sexo.O que mais o diverte nesta vida é contar, com a musa da encomenda e a velha da foice a bafejarem prazos fatais no juízo, pequenas biografias de assombrações nocturnas. Tínhamos a mesma impressão sobre o mundo, além do mesmo ofício, pelo menos é o que me ficou como areia especulativa na memória. “Anjos e demônios habitam as coincidências”, disse a nuestra garota predileta, de cujos olhos saltavam melancólicos peixes de água doce e aquela fagulha de beleza que habita a alma dos esquizofrênicos.
Viejo cigano, te pago todas, nos vemos mais adiante na taberna do sr. Knut, embora a síndrome de Korsakov, já tenha comido as beiradas do juízo. Mas vamos devagar, amigo, temos todo tempo do mundo, deixemos que os nossos personagens encham a caveira, nadem no seco -tarefas das mais simplórias para estas pobres almas-, só assim arrancaremos deles um material de primeira.Nos vemos.
Assinado: Don Augusto Sombra, biógrafo andarilho, San Pablo de Piratininga, maio do ano da graça de 2006






